Introdução
Existem encontros que ultrapassam a ocasião. São momentos em que passado, presente e futuro se alinham em uma conversa e, ao fazê-lo, revelam mais sobre nós mesmos do que poderíamos imaginar.
Em 2018, durante um evento de tecnologia, vivi um desses encontros. Conheci Jon “Maddog” Hall, reconhecido globalmente como um dos pais do movimento open source e defensor incansável do Linux como ferramenta de liberdade tecnológica.Para quem dedica a vida à inovação, ele não é apenas uma referência — é uma lenda viva. Mas o que mais me marcou não foi o currículo de Jon. Foi sua visão de mundo, que ainda hoje continua moldando o futuro.
Key Points
- O impacto visionário de Jon “Maddog” Hall na história da computação moderna.
- Paralelos entre o movimento open source e a jornada empreendedora no Brasil e na China.
- A colaboração como força motriz da inovação real e sustentável.
Shenzhen, 1994: Quando o Futuro Ainda Era Intuição
Durante nossa conversa, Jon me contou sobre sua primeira visita a Shenzhen, em 1994. Ele descreveu uma cidade ainda distante do que conhecemos hoje: uma região emergente, sem grandes estruturas tecnológicas, sem o ritmo industrial acelerado que hoje a caracteriza.
Mas ele viu além. Já naquela época, Jon percebia o potencial de um ecossistema colaborativo e ousado, baseado em abertura de conhecimento e acesso à tecnologia. Ele entendeu que o código aberto não era apenas uma linguagem técnica — era uma filosofia de construção coletiva.
Ouvir essa história foi como escutar alguém narrando o futuro antes de ele acontecer. E, de certo modo, era exatamente isso.
Uma Jornada em Paralelo: Construindo Pontes com Propósito
Enquanto Jon falava sobre as raízes do movimento open source, enxerguei paralelos com a minha própria trajetória.
Comecei jovem, ainda em Curitiba, escrevendo softwares em Delphi 4 para salões de beleza, muitas vezes me guiando por livros do Marco Cantù e enfrentando as limitações de uma internet discada. Noites em claro, depuração incessante, aprendizado na prática — foi ali que nasceu meu entendimento de que a tecnologia só é relevante quando resolve problemas reais.
Mais tarde, enfrentei o desafio de automatizar estacionamentos, desenvolvendo soluções que hoje atendem redes como Walmart e McDonald’s. E, em 2006, tomei uma decisão ousada: mudei-me para a China, onde passei a liderar a Kameda Technology e a dar vida a projetos como o EletroPay — terminal de pagamento em cripto que ajudou a expandir o uso da Dash em diferentes países.
Tudo isso se desdobrou na criação do Colabtec, uma iniciativa que conecta talentos brasileiros a ecossistemas de inovação globais, gerando soluções escaláveis e impacto real.
O Código Não Vive Sozinho: A Força Está na Comunidade
Jon me disse uma frase que jamais esquecerei:
“A força do Linux não está apenas no código, mas na comunidade.”
E ali compreendi que estávamos falando da mesma coisa. Toda a minha trajetória — da bolinha de Bombril usada para testar placas eletrônicas no início da carreira, até os laboratórios de SMT em Zhuhai — foi construída com base em uma ideia parecida:
Tecnologia é meio. A colaboração é o verdadeiro motor.Como Jon viu o potencial de Shenzhen em 1994, eu vi, anos depois, o potencial de internacionalizar ideias brasileiras a partir do mesmo território. Assim como o código aberto que ele defende, meus projetos foram sempre abertos a novas parcerias, culturas e visões.
Inovação É Coletiva, ou Não É
Conversar com Jon “Maddog” Hall foi mais do que uma honra. Foi um lembrete poderoso de que tecnologia não é feita de máquinas, mas de pessoas dispostas a compartilhar o que sabem.
Hoje, sigo com essa convicção. Seja na Kameda Technology, no Colabtec ou nos novos projetos que virão, meu propósito é claro: construir ecossistemas, não apenas produtos.
É por isso que acredito tanto na inovação aberta, descentralizada e acessível. Porque, como Maddog mostrou e continua mostrando, o impacto duradouro vem daquilo que criamos juntos.
Conclusão
O dia em que conversei com Jon “Maddog” Hall foi um marco. Não pela fama dele, mas porque suas palavras reforçaram tudo aquilo em que acredito.Inovar é colaborar. Compartilhar é mais poderoso do que proteger. E o conhecimento, quando livre, move o mundo.
Que essa história sirva como inspiração para os que constroem no silêncio, programam no anonimato e acreditam que suas ideias podem mudar o mundo.
Porque elas podem.
E se você tem uma ideia, compartilhe. Se tem um projeto, conecte. Se tem um propósito, escale.
O futuro pertence a quem tem a coragem de dividir para multiplicar.